Panturrilha endurecida: hematoma muscular ou trombose venosa? 

Com frequência, atendo em meu consultório, pacientes cuja queixa principal consiste em “panturrilhas endurecidas”. Na maior parte das vezes, este sintoma não é decorrente de traumas ou quedas, surgindo de modo repentino e causando importante incômodo no membro. Todavia, a dor nas pernas, o inchaço e a tensão muscular estimulam a procura pelo atendimento médico, ainda mais quando ocorre dificuldade para caminhar.

Na presença destes sintomas, a trombose venosa profunda, intuitivamente, emerge como a primeira e principal hipótese diagnóstica. Entretanto, este quadro clínico também pode ser decorrente de lesões musculares não provocadas, com hematoma local no ponto de maior queixa álgica. O uso de anticoagulantes, nestes casos, pode aumentar o sangramento muscular, piorando o endurecimento da panturrilha e, até mesmo, exigindo internação hospitalar para abordagem cirúrgica. Na dúvida, a melhor opção é solicitar o atendimento e a orientação do médico vascular.

Muitas vezes, machucamos as nossas pernas e não percebemos. Isso ocorre comumente durante a noite, ao batermos as pernas na cabeceira da cama, no momento de maior profundidade do sono. Ao acordarmos, sentimos o incômodo nas pernas, a dificuldade para caminhar e a necessidade de mancar para manter o equilíbrio corporal. Em outras ocasiões, estiramos a musculatura do membro, durante atividades físicas extensas ou extenuantes, e também durante movimentos bruscos, como por exemplo, ao descer rapidamente da escada do ônibus ou iniciar uma atividade física sem o devido condicionamento.

Em situações como estas, a lesão das fibras musculares causa um hematoma local de quantidade variável e sensibiliza as terminações nervosas do compartimento acometido. Durante o esforço físico promovido pela caminhada, o indivíduo pode sentir dor no membro, aumento de volume da panturrilha em decorrência do hematoma e a marcha normal é substituída pelo ato de mancar. O tratamento para a lesão muscular e para o hematoma consiste em calor local, repouso, uso de anti-inflamatórios e pomadas a base de heparina. Geralmente, o quadro clínico melhora, com remissão dos sintomas em três a cinco dias.

A trombose venosa, entretanto, também é caracterizada por dor, edema e tensão muscular. Por outro lado, a dor é progressiva, não melhorando com o uso de calor local e anti-inflamatório. Além disso, o inchaço geralmente é mais exuberante, em especial se houver o acometimento dos segmentos venosos da coxa e da pelve. O tratamento anticoagulante, nestes casos, é mandatório para evitar a progressão do trombo e a piora clínica.

Uma vez que a trombose resulta da formação de um trombo que oclui a circulação venosa, caso não diagnosticada, existe um risco considerável de evolução da trombose para a embolia pulmonar, cuja principal característica consiste na obstrução da circulação arterial dos pulmões, o que favorece o aparecimento de dor torácica, falta de ar e taquicardia. Se o quadro clínico piorar, pode ocorrer até mesmo insuficiência cardíaca.

O doppler vascular constitui a melhor maneira de realizar o diagnóstico diferencial entre hematoma muscular e trombose venosa profunda. Além disso, permite a instituição do tratamento correto, evitando complicações. Para mais informações, acesse o site www.drsthefanovascular.com.br.

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